Cetoacidose diabética: os sinais de alerta que não podem esperar
É a complicação aguda mais grave do diabetes tipo 1. Reconhecer cedo muda o desfecho, e os sinais são reconhecíveis.
A cetoacidose diabética acontece quando falta insulina a ponto de o organismo passar a queimar gordura como combustível de emergência. Esse processo produz cetonas, que acidificam o sangue. É uma emergência médica e não se resolve em casa.
Se você ou alguém perto de você apresentar vômito, dor abdominal, respiração rápida e profunda ou hálito adocicado junto com glicemia alta, procure um pronto-socorro imediatamente ou ligue 192. Não espere para ver se melhora.
Os sinais, na ordem em que costumam aparecer
Fase inicial — parece hiperglicemia comum:
- Sede intensa e boca muito seca
- Urinar muito
- Cansaço fora do normal
- Glicemia alta que não cede com a correção
Fase de alerta — aqui já é hora de procurar socorro:
- Náusea e vômito
- Dor abdominal, às vezes confundida com problema digestivo
- Falta de apetite
Fase grave — emergência imediata:
- Respiração rápida e profunda (chamada respiração de Kussmaul)
- Hálito com cheiro adocicado, de maçã ou de acetona
- Confusão mental, sonolência intensa
- Desidratação evidente
- Rebaixamento de consciência
O ponto de virada, na prática, é o vômito. Glicemia alta com vômito, em quem tem diabetes tipo 1, é para ir ao pronto-socorro, não para observar em casa.
Por que acontece
- Falta de insulina: dose esquecida, insulina estragada por calor, falha de bomba, cateter obstruído
- Infecção: gripe, infecção urinária, pneumonia, infecção dentária
- Diabetes tipo 1 ainda não diagnosticado. Muita gente descobre a doença justamente numa cetoacidose
- Estresse orgânico intenso, como cirurgia ou trauma
- Alguns medicamentos, sob orientação médica
Quem usa bomba de insulina tem um risco adicional: sem insulina de ação longa como rede de segurança, uma falha de cateter pode evoluir em poucas horas.
O que fazer enquanto o socorro não chega
Se a pessoa está consciente e conseguindo engolir:
- Ligue para o serviço de emergência ou vá ao pronto-socorro. Este é o passo um, não o último.
- Ofereça água, aos poucos. A desidratação é parte central do quadro.
- Não suspenda a insulina por conta própria e não invente dose. Se houver orientação médica prévia por escrito para essa situação, siga-a.
- Leve as informações: qual insulina, qual dose, última aplicação, última glicemia, valor da cetona se mediu, outros medicamentos.
Se estiver com consciência rebaixada, não ofereça nada pela boca. Vire de lado e chame o 192.
Como reduzir o risco
Tenha tiras de cetona em casa se a sua equipe recomendou, e saiba usar antes de precisar.
Meça cetonas quando a glicemia estiver persistentemente muito alta, quando você estiver doente com febre ou vômito, ou sempre que seguir a orientação que o seu médico deu.
Nunca suspenda a insulina basal por estar comendo pouco. É o erro mais perigoso do diabetes tipo 1. Doente, o corpo precisa de mais insulina, não de menos.
Peça um plano de dias de doença por escrito ao seu endocrinologista, com o que fazer em caso de febre, vômito e cetona positiva. Guarde junto da receita.
Cuide da conservação da insulina. Insulina estragada por calor não faz efeito, e a glicemia sobe sem que você entenda o porquê.
Se você socorre alguém
Numa emergência de rua, quem chega primeiro não sabe que a pessoa tem diabetes tipo 1 — e essa informação muda completamente a conduta da equipe médica.
Perguntas frequentes
Quais são os sinais de cetoacidose diabética?
Sede intensa, muita urina, náusea, vômito, dor abdominal, respiração rápida e profunda, hálito com cheiro adocicado e confusão mental, geralmente acompanhados de glicemia alta.
Cetoacidose pode acontecer com glicemia normal?
É raro, mas existe, sobretudo com alguns medicamentos e em situações específicas. Por isso os sintomas importam tanto quanto o número do glicosímetro.
Como medir cetonas em casa?
Com tiras de cetona no sangue ou na urina, disponíveis em farmácia. Quem indica quando e como medir é a sua equipe de saúde.
Posso tratar cetoacidose em casa?
Não. A cetoacidose exige hidratação venosa e insulina sob monitorização hospitalar. Suspeita de cetoacidose é motivo de pronto-socorro.
Por que quem usa bomba de insulina tem mais risco?
Porque a bomba usa apenas insulina rápida, sem uma insulina de ação longa como reserva. Uma falha de cateter pode levar à cetoacidose em poucas horas.
Conteúdo informativo produzido pela equipe da Minha Vida Nada Diabético, que convive com diabetes tipo 1. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento. Converse sempre com o seu médico ou a sua equipe de saúde antes de mudar qualquer conduta.